A notícia soa quase como uma coisa do outro mundo: Bernard Madoff, de 71 anos, ex-presidente da Nasdaq (a poderosa bolsa de valores eletrônica onde são negociadas as ações das empresas de eletrônica, informática, telecomunicações, biotecnologia, etc.), foi condenado a 150 anos de prisão, responsabilizado pelas perdas de 85 bilhões de dólares a cerca de 8 mil investidores do mundo inteiro.
A sentença é dura e garante que não haverá qualquer tipo de beneficio ou redução da pena por bom comportamento. Todos os bens do estelionatário foram confiscados, inclusive apartamentos, casas, um iate e investimentos diversos, tudo num total de 100 milhões de dólares.
Além disso, foram condenados a penas diversas, não inferiores a 12 anos, dois de seus auxiliares, Bernard Ebbers, de 67 anos e John Rigas, de 84 anos.
Pois é... uma sentença duríssima para um crime escabroso, envolvendo uma soma de dinheiro inacreditável. E o melhor, a justiça agiu de maneira rápida e eficiente, não se impressionando com o poder desse homem tão poderoso.
Que inveja! Quando olho para o lado e vejo nosso legislativo atolado em leis, códigos, tradições e um elitismo anacrônico permeando suas decisões, fico com inveja mesmo!
Já tivemos vários casos de fraudes, não nesse patamar, mas atingindo milhares de correntistas de bancos, investidores e até mesmo aqueles que acreditavam nos famosos planos de seguros e pensões que estiveram tão em moda nos anos 70 e simplesmente sumiram do mapa.
Segundo a empresa de consultoria KPMG, o Brasil perde anualmente cerca de 160 bilhões de reais ou 6% do Produto Interno Bruto – PIB, com corrupção e fraude, envolvendo principalmente os crimes de colarinho branco, como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal,
Quem foi punido ?
Banco Econômico, Nacional, Bamerindus, a Coroa-Brastel... tem mais ? São tantos os casos que fica difícil lembrar. Até o famosa tungada do Collor na poupança alheia ficou por isso mesmo! Assistimos incrédulos manobras e chicanas jurídicas de políticos pegos literalmente com a mão na massa para escapar de uma punição.
Não podemos nos esquecer das grandes falências que deixaram milhares de funcionários na rua sem um centavo como a da Panair, Varig e a Manchete.
O Mensalão! Uma armação visando garantir uma base aliada para o goverrno, foi desmascarada, indiciou mais de 40 pessoas e ainda se arrasta na justiça. A quantidade de recursos permitidas é tamanha que uma decisão pode não sair nunca!
E tome de desvio de verbas, materiais, nomeação de parentes, amigos e amantes. O que estamos assistindo no Senado é apenas a ponta do iceberg que, por descuido ou excesso de confiança, deixaram aparecer.
Não, meus amigos, tudo isso vai não vai dar em nada, o país continuará sendo tungado e ficaremos eternamente envergonhados ou, seguindo o exemplo que vem de cima, passemos a meter a nossa mão também!
Com os altos índices de popularidade do atual presidente e uma situação econômica bem estável, acredito que perdemos uma oportunidade única de promover reformas sérias e profundas na estrutura social e política do Brasil. Era a hora de reformar a política, tornar a justiça mais rápida e justa, educar e dar saúde para todos.
E continuamos a ser “o país do futuro”.
Foto:
Newsday.com
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